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Thursday, 23 April 2009

Um Livro e Uma Rosa


'E com a observacao do penultimo post sobre "Os Livros Que Nao Lemos" da autoria do Divaldo Martins que faco aqui a minha homenagem ao dia mundial do livro.Um artigo inteligentemente escrito e expoe com leveza e seriedade a realidade da literatura em Angola.
Se por acaso nao gostar de ler vastos posts ok...volte duas vezes ao meu blog e leia-o por partes sempre acabara' por se surpreender com algo.Quem sabe...?

"Livros sao mestres que ensinam-nos sem varas ou ferraduras,
sem palavras ou furia, sem pao ou dinheiro.
Se tu te aproximas deles , eles nao estao adormecidos, se tu procuras
por eles, os livros nao se escondem, se tu tropecas, eles nao censuram
Se tu 'es ignorante, eles nao se riem de ti."

( Richard De Bury )

Os Livros Que Nao Lemos


Existem várias formas de se avaliar um país. Desde o Produto Interno Bruto, passando pelas taxas de mortalidade, de natalidade, a densidade populacional, a extensão territorial, até ao recente, e agora muito em voga, Índice de Desenvolvimento Humano, usado pelas Nações Unidas desde 1993, que engloba dimensões como a riqueza do país, a educação e a esperança média de vida. No Butão, ao invés do Produto Interno Bruto, o seu governo utiliza o FIB, o índice que mede a Felicidade Interna Bruta. Eles consideram a felicidade o motor do desenvolvimento de um país e, afinal de contas, a razão fundamental da existência do ser humano.

Num exercício menos arrojado, mas ainda assim quase tão original quanto a iniciativa do governo butanês, Lisa Adams e John Heat, dois reconhecidos professores americanos de literatura e de escrita criativa, procuraram avaliar a sociedade americana através de um elemento também subjectivo, mas ainda assim muito importante para a afirmação cultural e desenvolvimento de qualquer sociedade. Recorrendo aos mais importantes registos de venda dos Estados Unidos, eles procuraram compreender a sociedade americana através dos livros que os americanos leram ou que, pelo menos, compraram, desde a década de 90 até ao ano de 2006.

Quando acabei de ler o livro que produziram com base na extensa pesquisa, não pude deixar de achar tentadora a ideia de um exercício semelhante em relação à sociedade angolana. Achei, realmente, bastante interessante procurar entender a mentalidade do nosso país a partir dos livros que lemos, dos livros que compramos, dos livros que vendemos, dos livros que emprestamos ou trocamos. Mas, enquanto ia avançando nas minhas conjecturas de cabeça, fui chegando a conclusão de que, no nosso caso, um exercício idêntico só iria resultar se a análise fosse feita a partir dos livros que não lemos, pois, pelos livros que lemos, a pesquisa iria falhar por causa da irrelevância da amostra.

Numa época em que o materialismo domina o quotidiano, em que as pessoas são mais, ou menos, valorizadas pela quantidade e qualidade dos bens, em que os carros se apresentam antes dos títulos e dos nomes de família, o exercício lúdico da leitura transformou-se numa coisa bizarra, numa autêntica esquisitice, uma coisa de poucos loucos. Hoje é praticamente um «achado» cruzar com alguém que esteja a ler, ou tenha lido um livro que lemos no último ano. O grupo de pessoas que ainda cultiva o saudável hábito de leitura, sem o querer quase que se transformou numa seita secreta, está cada vez mais difícil encontrá-las. Nesta fase, em que o lucro e o saldo das contas bancárias se apresentam como os principais indicadores do nosso Índice de Consideração Social, vai sendo mais difícil convencer as pessoas, principalmente os jovens, da utilidade, da necessidade, da importância da leitura, e já nos parece normal que, inclusive, estudantes universitários não consigam tirar 2, dos 365 dias do ano, para lerem um livro, ou ao menos um poema disperso.

Contudo, idolatramos o Yannick Bongo como um messias dos novos tempos, só nos falta recomendar as suas letras para os novos manuais da reforma educativa, veneramos o Se-bem como criador de um grande movimento cultural, cantarolamos as músicas do Bruno M, do Puto Prata e do Agre-G, passamo-nos com os sucessos dos Lambas e dos Army Squad, quase entramos em transe com a «Karga» do Big Nelo. Mas se nos perguntarem quem é o Ondjaki, somos capazes de confundir o nome com uma nova técnica chinesa de construção, ou um novo golpe de karatê do Jet Lee.

Hoje oferecer livros deixou mesmo de ser recomendável. Para além do indivíduo correr o risco de passar por lunático ou alienado, pode mesmo perder os amigos ou a namorada que quer conquistar, por ser um inadaptado social. Nas nossas casas, as estantes, ora ornamentadas com obras literárias de referência, hoje encontram-se dominadas por peças de porcelana chinesa, embora poucas autênticas, também por extensas colecções de dvd de filmes de karatê e de terror, grandes filas de garrafas de Chivas e Moet et Chandot, que oferecemos a quem nos visita, quando elas já não estão vazias.

No meio de tudo isso, a grande maioria dos nossos escritores retrai-se, produz pouco, escreve apenas como um hobby, nos intervalos de alguma actividade mais estável, lucrativa e motivadora, porque, para além de a escrita não dar sustento, também não cativa porque não há leitores. E assim, vão aguardando por melhores dias, quando escrever der lucros como os discos de Kú-duro, Semba e de Rap. E na mesma situação se encontram os empreendedores, que, retraídos, não apostam em editoras, nem em livrarias, muito menos em gráficas. Parecem todos parados no semáforo, a espera que a luz verde apareça pra poderem avançar. Na verdade, no que diz respeito à literatura e à leitura, Angola encontra-se hoje numa situação de ponto morto, correndo sérios riscos de passar para uma marcha ré, se nada for feito.

Por isso, se tivéssemos que fazer a avaliação do país a partir dos livros que lemos, ao contrário do que acontece com os domínios político, económico, e mesmo desportivo, o resultado seria catastrófico, se comparado, por exemplo, com Portugal, onde são vendidos anualmente 530 milhões de euros em livros, importados 62 milhões e editados 15 mil títulos, perfazendo uma média de 41 livros por dia, mas que ainda assim tem em execução um Plano Nacional de Leitura para, note-se, aumentar a taxa de literacia. O mesmo acontecia se comparássemos com a África do Sul, onde a produção literária supera a de vários países europeus e já conseguiu nóbeis com J. M. Coetzee e Nadine Gordimer, ou mesmo com a Nigeria, nobelada com Wole Soyinca. É caso pra dizer que um país pesa-se também pelos livros que lê e que vende e não apenas pelos recursos naturais que explora, porque isso demonstra a qualidade das suas gentes.

Na verdade, não há sociedade que se desenvolva, não há potência que se construa, sem cultura, sem ideias, sem pensamento. O livro, se calhar mais do que outros objectos culturais, ajuda a pensar, fomenta o conhecimento, atiça a inteligência. Barack Obama venceu as eleições americanas, entre outros factores, porque leu mais, conhecia mais sobre a América do que os seus adversários. Por isso, é preciso dizer à essa geração, à minha geração, à geração dos nossos filhos, que não se constrói um país apenas com dinheiro, com petróleo, com estradas e pontes, é preciso ensiná-los que a riqueza de um país está na sabedoria do seu povo, que pode constituir um factor de sobrevivência nacional, num mundo em que os poderosos globalizam culturalmente e os mais fracos são globalizados. Não basta, pois, encher as carteiras de dinheiro e os corpos de músculos, seremos sempre um corpo vazio. São as ideias que nos sustentam e somos nós que sustentamos o país.

Não podemos continuar a ignorar que a não leitura é um problema que afecta a sociedade angolana a todos os níveis, mesmo a classe média/alta que vai tentando emergir, os novos empresários, os professores, os estudantes universitários, o mesmo será dizer, os futuros dirigentes do país. E isto deve ser encarado como um problema grave que, entretanto, e respeitando a regra, parece conter em si mesmo a solução, pois, se o problema da não leitura centra-se nos leitores, a solução passa também por eles, por começar a valorizá-los, respeitar e ir ao encontro das suas expectativas.

Por isso, ao invés de se aguardar pelo surgimento de livrarias pra fomentar a leitura, é preciso primeiro que se incentive a leitura, e nem é preciso dizer que a escola deve ser a base, pois incentivando-a estimula-se também a procura de livros, o que vai espicaçar as livrarias, despertar as editoras, atrair os investidores, fazer surgir novas editoras, livrarias, gráficas, promotores, distribuidores e, mais importante, para além de motivar os escritores, vai atrair os novos talentos da escrita, retraídos pela falta de espaço para surgir e crescer.

E estes novos talentos, por sua vez, poderão dar um novo impulso à literatura angolana. Porque, assim como aconteceu com a música, com a revolução do Semba, com o surgimento do Kú-duro, também é verdade que a literatura angolana precisa de novo fôlego, precisa de novos autores que consigam atrair novos leitores, precisa de novas temáticas, que falem da história recente do país e nos possibilitem sonhar o futuro. Precisa de novas abordagens sobre os velhos assuntos, de novos formas de escrever e de contar, mantendo, contudo, aquilo que caracteriza os nossos melhores escritores, a escrita com ideais, a escrita com valores, a escrita com compromisso com o país e, fundamentalmente, com os leitores.

Obs. Comemora-se na próxima semana, a 23 de Abril, o dia mundial do livro, instituído pela Unesco em homenagem a William Shakespeare e Miguel de Cervantes, ambos falecidos neste dia em 1616. Diz a tradição que nesta data, em homenagem a S. Jorge, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha e em troca recebem um livro. Não precisamos de esperar pela data, hoje, amanhã e sempre são dias perfeitos para comprar, oferecer, trocar, emprestar ou escrever um livro. O país e o mundo vão, de certeza, agradecer o gesto.


E-mail: dijuma4@hotmail.com

Wednesday, 6 August 2008

"MESSIAH"


2008 definitivamente tem sido o ano que menos tenho lido um bom livro.Nao sei se pelo desgaste de tanto ter lido nos anos anteriores ou se por falta de vontade.
Antes demorava 1 mes e meio ou dois meses para terminar um livro, este ano dei-me conta que estava desde Janeiro ate Julho com o mesmo livro e quase que nao saia do mesmo capitulo.

Ontem comecei a ler o "Messiah" de Marek Halter, mais um de MH que vai parar a minha estante.Ao ler consegui ser transportada para a cidade Veneza no seculo 16,teletransportei-me(virei mutante ahahhaha).E 'e isso que admiro em certos escritores, a facilidade com que suas palavras fazem com que nos' leitores viagemos no espaco e tempo.


Um facto interessante 'e que consegui comprar o livro novinho,intocavel numa loja da Oxfam por tao somente 6 libras( six pounds), quando o real preco 'e de 24£ 95p(vinte e quatro libras e noventa e cinco pences).Estou orgulhosa dessa compra.

Sunday, 14 October 2007

Meme 1


“A Tenda Vermelha”, ‘e essencialmente a historia da Dinah figura biblica,e de como as mulhers no seu tempo tinham o seu proprio mundo dentro de uma tenda vermelha toda vez que tocasse o ciclo da menstruacao.Um mundo completamente fechado aos homens.O trecho ‘e do reencontro entre os dois irmaos Esau e Jacob depois de muitos anos....

5 frase da pagina 161:

“Enquanto as mulheres preparavam a comida,Esau e Jacob desapareceram dentro da tenda do meu pai.Depois dos filhos de Esau terem armado as tendas para a noite,eles reuniram-se perto da porta do meu pai,aonde os meus irmaos tambem ficaram.Reuben e Eliphaz trocaram estorias acerca do rebanho dos seus pais, de repente comparando o numero e a saude de cada animal,medindo cada um e levando para o pasto com os caes treinados.”

Tuesday, 11 September 2007

Speed Na Literatura.


Essa mania de exprimentar certas coisas do que se le,esta' a fazer com que eu leia dois livros ao mesmo tempo.Nao no mesmo minuto 'e claro nem na mesma hora mas assim: hoje leio um e depois de 2 dias leio o outro sem ter antes acabado de ler o primeiro.Alguem entendeu?Alguem muito inteligente que ja nao me lembro quem, escreveu que para nao nos cansarmos da leitura essa era uma maneira de seguirmos em frente sem largar o livro para o lado de tanto aborrecimento, e detalhe:Os dois livros tem^ que ser de autores diferentes e estilos diferentes.E assim estou eu a ler o Ondjaki "Quantas madrugadas tem a noite?" e o Gabriel Garcia Marquez "Cem anos de Solidao".E o que me levou a escolher "Cem anos de solidao"?Porque eu toda curiosa quando fui ao Borders(livraria-cafe),peguei um livro que dizia assim..."OS 100 LIVROS QUE VOCE DEVE LER ANTES DE MORRER".E os "Cem anos de solidao" 'e um deles.
Nessa ultima viagem que a minha sister fez para Tuga pedia-a que trouxesse o Ondjaki.Sinto muito a falta de ler escritores angolanos, que por sinal nao deixam nada a dever aos grandes escritores internacionais(nao sei se 'e vaidade minha), e a "Sis", trouxe o dito livro.So sei que quando ela perguntou-me qual dos livros eu queria , respondi : "Quantas Madrugadas tem a noite?"A minha querida mae que estava ca a passar ferias respondeu logo :"DUAS".Eu matei-me de rir e respondi:"Isso 'e o que vamos ler,porque se depender de Luanda, sao muitas".Todo caluanda sabe disso!
Ainda nao acabei de ler o Ondjaki, mas estou a gostar,transporta-me no tempo de Luanda e faz-me despertar memorias guardadas a bastante tempo.
Outro detalhe a minha maezinha toda curiosa espreitou o livro para ver o que a filha estava a ler e disse logo:
"Que horror so tem calao,isso 'e o que a Any gosta".
Tive a missao de explicar que aquela linguagem nao era no seu todo calao e que 'e um jeito da minha geracao falar.Toda geracao tem um jeito de falar.